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Realmente não sei por que inicio este diário. Talvez a culpa seja de Bigeye, que tanto exige de mim anotações, mesmo que tolas, sobre o meu dia. Ou ainda posso acusar a minha solidão interna.
Para quem um dia ler, eu devo apresentar-me formalmente: chamo-me Thiers Saint-Floire Fairy-Stone, filho de Wagner Wald Fairy-Stone e de Cassia Saint-Floire Fairy-Stone, neto de Anton Wald Fairy-Stone, e irmão de Thierry Saint-Floire Fairy-Stone.
Eu detesto ter que me apresentar assim, mas é um costume, e devemos seguir e respeitar os costumes na verdade, é o que vive dizendo o meu irmão.
Ler é algo que muito me agrada, mas escrever me cansa! Um dia perguntarei a um escritor como ele consegue criar e escrever histórias tão longas e bem elaboradas sem se cansar ou ser chato.
Papai, antes de morrer, contou-nos a mim e a Thierry uma fábula... Bem, eu acho que era um conto de fadas, porém ele insistiu em chamar de fábula. Até apelou, argumentando que mito ou lenda ou até mesmo um conto era uma fábula.
Ainda fico pensando em como deve ser o final da história, mas nem ouso eu mesmo tentar elaborar um final para ela. Não sou nenhum ficcionista para isso e nem pretendo ser.
O sono já chega, mas Bigeye está cantando uma música que não entendo sequer uma palavra. Já o mandei se calar, porém ele parece não me ouvir. Se não fosse o sono pesado de meu irmão, estaríamos em grandes apuros.
Eu sei que não é normal um menino de minha idade temer um sonho ruim como se ainda fosse um bebê, mas eu ainda temo. Sempre via a mesma coisa: uma estrela muito brilhante, uma voz me chamando, um campo, um monstro pavoroso. Por ora cessou, mas a lembrança... A lembrança me atormenta até hoje!
Que falta faz o papai! Ele...
Melhor eu parar antes que molhe mais ainda a folha e as letras, que tanto me custaram escrever. Farei Bogeye calar-se, nem que eu tenha que entupir a sua boca com as meias fedorentas de Thierry!
Orarei hoje pelas almas de mamãe e papai, que estão no céu, pertinhos de Jesus Cristo.
Por ora é só...

2 Comments:

  1. R.M.S.Silveira said...
    Seus textos são de extrema beleza, Alec. Ainda que sem entender a história ainda, ler partes avulsas é uma atividade prazerosa, tão belos são teus escritos. Está de parabéns.
    Alec Silva said...
    Agradeço pelo elogio!

    Espero em breve poder ler algo de sua autoria tb, para retribuir os elogios.


    Abraços.

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A obra "A Fábula Inacabada" de Alec Silva foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em afabulaoficial.blogspot.com.
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