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O céu estava todo estrelado, bem movimentado, tendo pontos formando figuras humanoides que dançavam e estrelas cadentes belíssimas. Uma enorme estrela brilhava intensamente, indicando um caminho a seguir, uma direção a ser obedecida. A esfera etérea tinha uma cor azul-prateada, tão bela e majestosa que encantava os olhos brilhantes da criança.
Andando sobre uma grama curta, verde e suave, com os pés descalços, o menino era atraído para a direção daquele brilho. Era apenas ele e a estrela; não havia o campo vasto, a noite tão colorida e brilhante, o vento ameno.
Uma voz o chamava docemente, tão feminina e familiar, tão agradável e meiga. Apesar da tenra idade, o pequeno sabia que tinha um dever a ser cumprido, uma tarefa predestinada a ele.
“Venha, Thiers!”, chamava a voz misteriosa, quase cantando. “Eu o aguardo.”
O menino tinha os olhos azul-prateados assim como a estrela lacrimejados, tomados pela emoção. Algo em seu íntimo o dava uma emoção estranha, uma ausência, uma saudade, uma outra coisa.
Ele parecia ver uma jovem encantadora, cabelos longos, ondulados, pele clara, sorriso sonhador, um olhar esperançoso. Embora tão perto, estava distante, quase inalcançável.
“Você precisa ser forte”, falou a voz, após uma breve pausa. “Tempos turbulentos se aproximam.”
A criança esticou o braço esquerdo, como se fosse tocar a esfera em chamas, mas sentiu algo sair detrás de uma árvore e cercar-lhe o corpo pequeno e frágil. Aguçando a visão, notou uma figura híbrida, tigresa e humana, selvagem e sedutora.
“Ele não a salvará”, disse outra voz, suave e grave na mesma proporção. “É apenas um reles humano que cheira a leite e urina.”
Aquela criatura estranha, que ora deslizava sobre quatro patas, ora sobre duas, causava muito pavor no menino, que soltou um grito, fazendo a coisa gargalhar.
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Os gritos apavorados e também assustadores do pequeno Thiers acordaram o pai, que dormia no quarto ao lado do dos gêmeos. Embora fossem frequentes, cada surto do filho não deixava de ser um motivo de acordá-lo de sobressalto, esquecer-se de calçar os chinelos de couro tão bem trabalhado, pegar o pequeno castiçal com duas velas feitas com cera adocicada que ficava sobre o criado-mudo, correr para fora de seu quarto e entrar no outro, encontrando a vítima do pesadelo sentada na cama, choramingando, sob o olhar surpreso e assustado do irmão.
Acalme-se, filho! pediu o pai, aproximando-se da cama e pondo o castiçal de prata sobre o criado-mudo que separava as duas camas. Foi apenas um sonho ruim.
O menino tinha respiração ofegante, o rosto molhado de suor e lágrimas, as pupilas acinzentadas dilatadas, o corpo rijo comum durante os surtos noturnos da maioria das pessoas.
O pai abraçou a criança, afagando os seus cabelos negros e curtos. Falou algumas palavras, conseguindo acalmar aquela alma atormentada por pesadelos constantes. Em seguida olhou para o outro filho, tão semelhante ao caçula na aparência.
Você está bem, Thierry? indagou ele, carinhoso no tom de voz.
O pequeno respondeu afirmativamente com um leve movimento dos olhos, pois não era muito de falar.
O homem permaneceu no quarto até que ambos voltassem a dormir sossegadamente. Por sorte nunca Thiers tinha duas crises numa única noite o que dava um pouco de tranquilidade ao pai.

3 Comments:

  1. Alec Silva said...
    Se gostarem, poderei postar mais um trecho...


    ^^
    letrasmagicass said...
    Sim uma historia cativante amigo!seria legal postar mais um pouquinho,valeu-boa sorte estamos lendo e torcendo
    Alec Silva said...
    Valeu, amigo!!!


    Em breve postarei mais algumas coisas sim!


    Abraços!

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