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Desde o momento em que parte do mundo passou por mudanças tecnológicas, todas as áreas mundiais sofreram mudanças também. Primeiro ocorreram no continente mais importante, em especial no país que se mostrava muito a frente do século XVIII: a Inglaterra. Surgiram máquinas a vapor muito superiores as que vinham sendo criadas na França, na Itália e nos Estados Unidos país este que havia acabado de ganhar a independência.
Quando a tecnologia espalhou-se pelo mundo, tudo teve de ser revisto, melhorado, aperfeiçoado. Surgiam, assim, novas necessidades, descobertas para saciarem essas necessidades. Era o início da chamada Revolução Industrial, o que muito ajudou a Inglaterra a sobreviver às perdas de importantes colônias na América.
Poucos foram os homens que tiveram grande importância nos círculos sociais, industriais, científicos e acadêmicos como James Watt, o responsável pela invenção da máquina a vapor ― invento esse que resultou a seguir na construção de trens, barcos, carros e tantas outras coisas.
Investir nas áreas que cresciam era algo rentável, apesar de arriscado, pois inúmeras fábricas faliram, não suportando a forte pressão do progresso industrial.
E no decorrer dos anos, conforme a segunda onda da revolução, tudo se mostrou estável, o que muito fez o mundo alcançar um nível quase que todo igualado de avanços. Claro que houve muitas exceções.
Não somente os ingleses, mas toda a Europa e alguns países das três Américas, que já se viam livres ou a caminho de se livrarem da colonização, eram agora alcançados pela fabulosa Revolução Industrial.
Se por causa da efervescência nas Américas os europeus se viam perdendo colônias ricas em café, frutas, tabaco, melado, açúcar e minérios, também se viam buscando novas colônias na África e na Ásia.
O continente africano, que outrora fora responsável pelos escravos tão usados nas colônias americanas e que há pouco ganhavam a sonhada liberdade, voltava a sofrer com as explorações dos povos da Europa. O objetivo agora era o diamante e qualquer outra pedra valiosa, que tanto valia no mercado.
Do continente asiático vinha outra forma de riqueza, já há algum tempo explorada, mas somente agora intensificada: as especiarias, como ervas e temperos.
Em ambos havia a exploração da mão-de-obra e a destruição de culturas, o que muito enfurecia alguns homens que defendiam a igualdade social em todas as partes do mundo.
Inúmeros inventos fizeram o mundo progredir, abrindo leques colossais para autores de um gênero literário que florescia, sobretudo após o sucesso de Júlio Verne. Era um grupo de escritores que parecia antecipar as coisas, o que provocava ou risos ou admiração ― ou ainda medo.
E a quase três décadas do fim do século XIX muitas mudanças já eram avistadas por todos, o que muito agitava todos os círculos da sociedade. Os rumores de máquinas voadoras ou que poderiam levar um homem a qualquer lugar, sem o intermédio de animais, sendo inclusive, mais leves do que o trem, assombravam a todos.
O único que parecia ver tudo o que acontecia ao seu redor como passos importantes e necessários para a humanidade era o Sr. Wagner Wald Fairy-Stone, dono de uma renomada rede de indústrias de fiações e tecelagens, além de ser proprietário e herdeiro único de uma fortuna incalculável, espalhada na França, na Inglaterra, na África do Sul, na Índia e nos Estados Unidos.
Herdeiro de uma família que enriqueceu misteriosamente, o que gerou boatos caluniosos na época, o Sr. Fairy-Stone sempre tinha uma visão otimista diante de qualquer situação. Era algo que havia herdado do pai, Anton Wald Fairy-Stone, que era um poeta de grande influência até ter tudo destruído num incêndio.
A visão tão otimista do empresário foi indispensável quando a segunda onda da revolução aconteceu, em 1860, época em que inúmeras indústrias faliram ― algumas foram compradas por ele, que enxergou uma oportunidade de expandir os negócios.
Com a morte do pai, que falecera um ano após perder as suas obras valiosas, como pergaminhos gregos sobre um canto do globo nunca explorado e as suas poesias, vítima de desgosto, o jovem Wagner assumiu o controle da imensa fortuna.
Em 1869, conheceu a jovem e bela filha de um mercador de joias da França, o Sr. Camille Saint-Floire. Ainda com recém-completados 17 anos, a jovem mostrou-se independente, rejeitando o cortejo do empresário ― o que muito o cativou, pois ele apreciava isso em uma mulher.
Semana pós semana, ininterruptamente, o Sr. Fairy-Stone pedia que mensageiros particulares levassem flores para a jovem cortejada. Eram buquês enormes, contendo centenas, até milhares das flores mais belas, perfumadas e caras de toda a Paris.
Além de flores, era comum a bela Cassia ser presenteada com perfumes raríssimos, joias e vestidos feitos sob medida ― a costureira ia à casa dela. Ela aceitava-os, mas sempre avisando que não se dobraria a um homem tão materialista.
Foi então que o cortejador arriscou novos passos: conseguiu a permissão dos pais da jovem e principiou a passear com ela, sob os cuidados severos de uma dama de companhia.
Os dois conversavam bastante sobre vários assuntos, como os livros de Júlio Verne e Jane Austen, os avanços da humanidade, as belezas da natureza, os sonhos de cada um. A cada passeio um pouco de cada um era revelado e descoberto.
Por fim, em 1872, após três anos de cortejo paciente e persistente, Cassia Saint-Floire aceitou o pedido de casamento de Wagner Wald Fairy-Stone. Isso ocorreu no começo do equinócio de outono, já no fim do mês de setembro.
Além de paciente, persistente, romântico e sonhador, o Sr. Fairy-Stone revelou-se ainda mais otimista, num grau altíssimo, pois muito antes de conseguir a mão da jovem francesa ele já havia iniciado os preparativos do casamento.
E no dia 29 de dezembro de 1872, no início do solstício de inverno, ambos casaram-se na velha Igreja Anglicana de São Lucas, perto de Londres, e também na pequena Igreja Católica Apostólica Romana de São João Batista, na cidade natal da jovem.
O casamento duplo, algo que inquietou tanto os ingleses quanto os franceses, tinha um motivo: o noivo queria respeitar a religião da noiva, uma católica praticante, e a própria, afinal ele era um anglicano fiel, herdeiro de uma das religiões surgidas durante a Reforma Protestante.
Quando casada, Cassia ganhou o acréscimo do sobrenome Fairy-Stone, mantendo o que já tinha e não o eliminando, como era o costume. Tudo porque o marido queria manter a personalidade independente da esposa.
Enfim, o Sr. Fairy-Stone, no auge de seus 32 anos, casou-se, dando sequência a uma história que nem ele, cuja visão era criativa e otimista, saberia como aconteceria e se desenrolaria.

1 Comment:

  1. Alec Silva said...
    Boa leitura a todos!
    Espero que gostem!

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